Por Catedral de Luz, 14/02/2020

A maioria dos torcedores vive o momento. Entretanto, o homem brasileiro que curte o futebol não é simpático ao passado, principalmente quando não lhe convém.

Contudo, amigos alviverdes, a História é fundamental. Ela explica de onde viemos e para onde vamos; nossos objetivos e obstáculos; mudanças e permanências.

Nós, palestrinos, já ouvimos falar de inúmeras academias que protagonizaram nossas páginas. Este colunista, por exemplo, teve a honra de assistir a “II Academia (1972 – 1975)” que personificou a arte de jogar do seu tempo e espaço.

Ela era, como diz o hino, a “… defesa que ninguém passa …” combinada com a “… linha atacante de raça …” e aplaudida pela “… torcida que canta e vibra …”.

Foram ao todo “11” troféus conquistados. Destacam-se, entre eles, “2 Campeonatos Estaduais (1972 – invicto / 1974 – Derby)”; “2 Brasileiros (1972 / 1973 – Choque Rei)”; “2 Ramón de Carranza (1974 / 1975 – frente a adversários como Barcelona e Real)”; e “1 Copa do Atlântico (1972 – frente a Boca Juniors, San Lorenzo e Peñarol)”.

Você deve perguntar: Onde foram parar as “Copas Libertadores e Mundiais de Clubes”, almejados com insanidade por nossa torcida? Prontamente lhe respondo: A realidade, parâmetros e interesses esportivos eram outros. Preferíamos disputas locais ou excursões altamente rentáveis, pois elas nos ofereciam prestígio da mesma forma.

Para que você tenha uma ideia da imponência da “SEP” à época, entre os titulares apenas “Zeca” não vestiu a camisa do selecionado brasileiro, e mesmo assim poucos clubes tinham em seu elenco um atleta com tamanha virtude técnica.

Nosso técnico – “Brandão” – era de um pragmatismo que faria inveja a “Scolari”. Porém, ele sabia bem como motivar o elenco.

Jogadores aplicados, os craques alviverdes sabiam o que queriam. Alguns até gostavam da noite paulistana, mas não perdiam treino na manhã seguinte – eu ouvi falar em “César Maluco ” – ?

A “SEP”, base do selecionado brasileiro que foi à “Alemanha” para a Copa do Mundo de 1974, foi legada à reserva, em sua maioria – apenas “Luis Pereira” e “Leivinha” foram titulares -. Dá para conceber que Ademir era suplente? O “bairrismo” era forte e comprometeu o trabalho realizado.

Enfim, amigos, hoje ao ouvirmos alguns medíocres bancando astros de primeira grandeza, sentimos vergonha, pela falta de humildade, e saudades de um tempo onde o romantismo chamava -se “Academia”.

O escritor e colunista Catedral de Luz nasceu na turbulenta década de 60 e adquiriu valores entre as décadas de 70 e 80 que muito marcaram sua personalidade, tais como Palmeiras, Beatles, Letras, Espiritismo e História… Amizades… Esposa e Filha.
Os anos 90 ensinaram-lhe os atalhos, restando ao novo século a retomada da lira poesia perdidas.