Por Roberto Galluzzi Jr.
07/12/2022

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Ensinamentos da Copa. Bem ou mal, uma Copa do Mundo sempre produz um efeito direto no futebol praticado pelos clubes. Assim foi em 74 quando o carrossel holandês impressionou o mundo. Também em 82 quando vimos que nem só de ataque se faz um campeão.

A atual edição do torneio trouxe a confirmação de algumas máximas que se mostram cada vez mais decisivas para a compreensão do ludopédio. Uma delas é a de o entrosamento vence talentos individuais. Verdade evidenciada em nossa derrota para Camarões e de outras seleções que “ousaram” entrar com times alternativos em detrimento dos titulares.

Sou do tempo em que o treinador buscava o quanto antes seu time titular e, com duas ou três opções, por aí seguia, buscando sempre um time cada vez mais entrosado. Veio a modernidade e com ela a força de um mercado bilionário e clubes eternamente endividados, e eternamente incapacitados de fechar um ano no azul, se não for pela venda de jogadores.

Nesse contexto, montar e manter um elenco de qualidade torna-se condição fundamental ao sucesso. Não sucumbir às pressões de compra e venda do mercado nem à neurose da torcida, avessa à paciência que a dinâmica do esporte exige e sempre ávida por mudanças e novidades.

Quem isso consegue fazer (montar E manter) sai na frente e se destaca. E é nisso que o Palmeiras parece apostar nessa temporada. Poucas contratações, aproveitamento dos pratas e continuidade de um padrão de jogo no que pode ser o último ano dessa comissão técnica.

Se é certo ou errado, só saberemos ao final da próxima temporada. Mas nos parece que o Palmeiras pode finalmente ter aprendido (e conseguido) a manter o que é bom, ao invés de reiniciar um trabalho do zero, que sempre demora mais pra dar frutos.

Obs.: sou só eu, ou tem mais alguém que ao ver os treinos da Seletite deixa escapar um sorriso ao se lembrar da comissão técnica do Palmeiras?

Nascido nos 70 e forjado nos difíceis anos 80, o Galluzzi enfrentou a fila inteira de 16 anos. Mas estava lá, em 12/06/93, in loco e muito loco pra assistir ao vivo o primeiro de muitos títulos, aos 21 anos! Talvez por isso, pra esse geração X raiz, roqueiro e paulistano da gema, não é qualquer derrota que abala a fé.