Por Roberto Galluzzi Jr.
25/10/2022

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Há algumas semanas o Abel respondeu a um jornalista que lhe perguntou acerca das razões dos méritos palestrinos. A parte da resposta dada pelo treinador, à nós parece que a explicação reside em dois fatores evidentes: futebol entrosado e jogo coletivo.

Só que por mais evidente que isso pareça, o que fica subjacente é quão difícil é alcançar tais condições, numa realidade onde a troca, contratação e substituição de jogadores parece ser uma regra imperativa.

O futebol que o Palmeiras apresenta hoje se deve, é claro, a um conjunto de fatores. Condição financeira, estrutura, comissão técnica e jogadores. Mas sem uma linha que una esses elementos, o futebol desanda. Uma não, duas.

O coletivismo é o trunfo sobre o individualismo. E o individualismo é o padrão reinante no mundo atual. Conseguir que o jogador entenda a dinâmica de superação que o trabalho conjunto possui sobre o individual é o desejo de 10 entre 10 treinadores. Louvados sejam aqueles que, dessa compreensão se aproximam. Benditos sejam os gols que dela surgem!

O entrosamento é a vitória sobre o caos, é a harmonia sobre a dissonância, é a orquestra tocando em afinação. É de encher os olhos! Contusões, expulsões, vitrine, mercado da bola… tudo isso faz a rotatividade no elenco titular ser maior do que a dinâmica de um bom futebol pede. Quem a ela resiste, salta na frente. E é isso que temos assistido hoje.

Que fique a lição: sem um bom “projeto” é complicadíssimo vencer. Mas projeto não se faz só com dinheiro. Mas com uma profunda noção de grupo e de tempo.

Nascido nos 70 e forjado nos difíceis anos 80, o Galluzzi enfrentou a fila inteira de 16 anos. Mas estava lá, em 12/06/93, in loco e muito loco pra assistir ao vivo o primeiro de muitos títulos, aos 21 anos! Talvez por isso, pra esse geração X raiz, roqueiro e paulistano da gema, não é qualquer derrota que abala a fé.