Por Catedral de Luz
29/11/2021

(Foto: Reprodução)

O jornalista deixa de informar quando o que faz é fruto do seu imaginário.

Mesmo que a frase acima soe como absurda ela reflete a verdade, pois a maioria dos críticos deixam de formar opiniões e passam a construir armadilhas para quem diverge de seus interesses.

Não é por acaso que o técnico Abel Ferreira cansou-se da hipocrisia reinante entre os comunicadores e fez um singelo elogio a um deles, ao final do jogo deste final de semana, durante a entrevista coletiva.

Entretanto, a atitude de chamar um cronista de covarde é apenas a ponta de um iceberg.

Ninguém mais do que Ferreira apanhou das línguas ferinas, pelo simples motivo de usar da franqueza, coisa que o jornalismo brasileiro não está acostumado. Para eles, senhores da verdade, por cartas à mesa tem um preço.

Ferreira elaborou planos e estratégias baseadas nas ferramentas que lhe ofereceram e embora negociasse melhorias, desde cedo soube da impossibilidade de contar com elas.

Coube a Abel reescrever a rota de competitividade da S.E.P. e fazer de bons jogadores um exército de guerreiros. Afinal, a individualidade nunca foi a arma do time alviverde. O conjunto fazia a diferença.

Todavia, a concorrência e a imprensa – como não poderia deixar de ser – trabalharam o quanto puderam em cima dos bastidores. Interpelações como “quem é o melhor técnico?” nunca conspiraram a nosso favor. Sempre os melhores jogadores estavam no adversário. A tabela era manipulada aos interesses de quem quisesse tripudiar, pois quando beneficiava a crítica somavam apenas os números de um turno. Enfim, nada que o torcedor alviverde não estivesse acostumado.

Contudo, um a um, os inimigos foram vencidos. Choque Rei, CAM e CRF, cada um deles sentiu o sabor amargo da derrota. Todos caíram no mesmo canto de sereia que era acreditar que o Palmeiras era fraco.

Aliás, o homem continua a pecar mortalmente quando o assunto é entender sobre a fragilidade. Todos foram apanhados de calças curtas e de surpresa.

Time retranqueiro? Alto lá, blasfemadores! A turma do gajo nunca joga da mesma maneira. Scarpa de ala e Piquerez de zagueiro pela esquerda foram apenas alguns exemplos do que o português é capaz de proporcionar.

Abel entrou para a história palestrina? Responda você! Duas Copas Libertadores na mesma temporada é para poucos.

O escritor e colunista Catedral de Luz nasceu na turbulenta década de 60 e adquiriu valores entre as décadas de 70 e 80 que muito marcaram sua personalidade, tais como Palmeiras, Beatles, Letras, Espiritismo e História… Amizades… Esposa e Filha.
Os anos 90 ensinaram-lhe os atalhos, restando ao novo século a retomada da lira poesia perdidas.