Por Catedral de Luz
21/08/2020

(Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras)

Por mais absurdo que isto possa parecer, assim como você, eu também sou um torcedor alviverde e há, pelo menos, uns cinquenta anos.

Vi e ouvi vários episódios deste clube e a alegria e a tristeza intercalaram-se ano após ano.

Fomos chamados, diga-se justamente, de “Academia”, por que fazíamos o futebol assemelhar-se a um concerto musical. Entretanto, em alguns episódios – e foram vários – a orquestra esmeraldina desafinava e era substituída com austeridade pelos eternos corneteiros. Afinal está no sangue italiano combinado com outras etnias.

Nada é perfeito, por melhor que possa funcionar. Lidamos com seres humanos que representam uma coletividade exigente e que pode por tudo a perder pelo simples motivo de amar incontestavelmente uma “Sociedade” como a nossa.

Mais uma vez repetirei o mesmo mantra e até exaurir minhas forças prosseguirei: “O futebol é 50% emocional”. Quando o jogador produz o mesmo efeito por duas vezes consecutivas, isto torna-se coincidência, aumenta a confiança e vira hábito.

Passando pano? Lustrando o erro? Ouço todos os dias tais máximas, mas continuo atento ao que acontece ao meu redor e procuro entender e analisar.

Para estabelecer o meu juízo de valor assisto todos os jogos que posso. Não posso mentir, pois isto faria desaparecer o respeito alheio. Assim sendo, eu afirmo que o Brasileiro de 2020 assemelha-se a uma gangorra. Sobe e desce. Não consigo enxergar um time com desempenho continuamente satisfatório.

Provavelmente a tática implementada pelos concorrentes não apresente diferenças significativas e a técnica apresente altos e baixos dependendo do encaixe entre as forças durante o jogo. Mas o diferencial está na decantada “intensidade”, alvo das críticas ensurdecedoras da coletividade, com as quais solidarizo-me.

Percebo que, pós pandemia e retorno à temporada, “Luxemburgo” tem utilizado ao extremo o efeito pragmático de competir. Para “o Estrategista” vencer trará confiança. Difícil tem sido convencer a torcida e o banco de dados contido no cérebro de cada um, desde 1914.

Luxemburgo, quando de sua chegada era o meu preferido a técnico da “S.E.P.”? Não. Embora eu agradeça ao “Professor” pelos títulos conquistados, inclusive o último. Porém, ele foi o escolhido e da mesma forma demiti-lo seria imprudente, depois de tantos meses à frente do elenco alviverde. Imagine começar do zero absoluto.

Ninguém é mágico. “Guardiola”, “Marinus ‘Rinus’ Michels (Holanda 1974)” ou “Sebes (Hungria 1954)”. Todos vivem de tempo. Não podemos transformar o cargo de “Diretor Técnico” em produto de consumo de uma perfumaria. Porém, entre o certo e o errado é o que mais fazemos.

O futebol apresentado está abaixo do esperado? É claro! Isto prova que o ano acabou? Não! Confio no elenco atual? Dentro das perspectivas criadas pelos nossos governantes, engatar uma sequência de bons resultados pode virar o jogo. Entretanto, tudo gira em torno de tempo e como argumentá-lo no dia a dia palestrino.

O escritor e colunista Catedral de Luz nasceu na turbulenta década de 60 e adquiriu valores entre as décadas de 70 e 80 que muito marcaram sua personalidade, tais como Palmeiras, Beatles, Letras, Espiritismo e História… Amizades… Esposa e Filha.
Os anos 90 ensinaram-lhe os atalhos, restando ao novo século a retomada da lira e poesia perdidas.