Por Catedral de Luz
12/01/2023

(Foto: Magliaverde)

A soma de 3 temporadas vitoriosas (2020, 2021 e 2022) por parte da SEP põe a funcionar a mente dos jornalistas em geral. As perguntas pululam das teclas dos computadores.

Enfim, qual a fórmula para o sucesso alviverde? Até quando constatar que o “medíocre (para eles)” time de Abel Ferreira consegue superar-se dentro das quatro linhas?

Antoine Lavoisier (químico francês) dizia de forma convicta que “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Tal raciocínio vai ao encontro das linhas deste texto. Afinal, quando percebemos as características do time do “nativo de Penafiel” concluímos que menosprezar algo ou alguém é, no mínimo, erro de conceito.

Cometer o delírio não é o meu objetivo. Comparar a Academia de 1972 com a intensidade proposta pelo Palmeiras dos últimos 3 anos beira apenas o bom senso, e cabe aqui explicar.

A temporada de 1972 recebia o elenco alviverde através das suspeitas de um torcedor apaixonado, exigente e descrente de seu potencial.

A começar por uma defesa a ser reinventada, a incerteza atingira tudo e todos. Coube ao goleiro Leão (22 anos) e ao zagueiro Luís “Chevrolet” Pereira (22 anos) o esteio da última linha, com as inclusões do promissor Eurico (24 anos) pela lateral direita, do comum Alfredo (26 anos) na zaga e do eterno coringa Zeca (26 anos) pela lateral esquerda

Acredite, mas no meio de campo começaram a vender a ideia da saída de Dudu (32 anos), coadjuvante ideal (no entendimento deste colunista) para o expressivo Leiva (22 anos) e para o maestro Ademir (30 anos) que galopava (para eles) suas últimas temporadas alviverdes – afinal, o futebol tomava rumos divergentes das características do “Divino”.

A despeito das cornetas soarem copiosamente, a linha atacante tinha César (26 anos), o ídolo, a irreverência e o algo mais. A imponderabilidade – alguém falou Rony? – de Edu Bala (24 anos) e o introspectivo Nei (22 anos), driblador suburbano de marcadores, que assim completavam o que viria a ser chamada de “A II Academia”.

Time competitivo e bom é time longevo – quanto mais tempo junto, melhor. Cabe ao treinador motivar o elenco. Brandão sabia.

Para provar a veracidade de minhas palavras, entre os 10 jogadores que mais atuaram com a camisa alviverde, 6 deles são dessa II Academia (Leão, Luís Chevrolet Pereira, Dudu, Ademir, Edu Bala e Nei).

Pasmem, mas a não ser Zeca todos vestiram a camisa do selecionado brasileiro, inclusive Brandão.

Embora Zeca não tenha tal privilégio, é dele um dos momentos de maior reconhecimento da torcida. Após 3 chapéus consecutivos, em 3 adversários distintos, o camisa 4 lança Nei e o atacante acerta a trave. O Palestra Itália inteiro aplaude. Era o fim da II Academia, seus últimos suspiros, mas que permitiram ao Senhor sentado a meu lado regozijar: “Fazer o quê? É o último dos Moicanos! Alguém tem que ficar e nos contar toda a história”.

O escritor e colunista Catedral de Luz nasceu na turbulenta década de 60 e adquiriu valores entre as décadas de 70 e 80 que muito marcaram sua personalidade, tais como Palmeiras, Beatles, Letras, Espiritismo e História… Amizades… Esposa e Filha.
Os anos 90 ensinaram-lhe os atalhos, restando ao novo século a retomada da lira e poesia perdidas.