Por Roberto Galluzzi Jr.
20/07/2022

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Na coluna de hoje vamos repercutir as declarações de jornalistas que apelaram ao sentimento nacionalista para atacar o técnico Abel Ferreira.

Quão melhores poderíamos ser, tivéssemos um senso crítico com maturidade suficiente para reconhecer erros e assumir a disposição para melhorar.

Apesar de termos uma imprensa competente, elucidativa e esclarecedora na maioria de suas abordagens, também vemos uma linguagem que via de regra fala para as demandas mais podres da mente humana.

Chamar o Abel Ferreira de “colonizador” por conta de sua origem portuguesa é apelar ao mais baixo sentimento nacionalista, que sempre insufla multidões: a xenofobia. É triste, asqueroso e deplorável que vivamos a mercê de uma comunicação que incita o pior em nós, simplesmente por audiência.

Mais triste do que um povo que não tem consciência dos seus problemas, é não ter a capacidade de reconhecer essa falta, ficando relegado ao nanismo intelectual!

A imprensa VENDE campeonatos, partidas e disputas. Para ela quanto MAIS houver disso, melhor. E não só partidas em profusão, mas espetáculos cheios de emoção. Mas muitas vezes A VIDA não é esse espetáculo televisivo que a imprensa fabrica e nos empurra goela abaixo. E isso a imprensa não é capaz de admitir, ou aceitar.

Pois é… aos grandes representantes midiáticos das análises viscerais para balcão de padaria: há verdades que vão além deste balcão. São verdades mais difíceis de engolir e que muitas vezes expõe nossa pequenez. Mas pequeno mesmo é aquele incapaz de evoluir e se limita a falar o que o lado mais infantil da audiência quer ouvir e não aquilo que ela precisa (ainda que lhe doa) ouvir.

A informação desse tipo de jornalismo serve para a opinião pública assim como refrigerante e bolacha recheada servem para nos alimentar.

Nascido nos 70 e forjado nos difíceis anos 80, o Galluzzi enfrentou a fila inteira de 16 anos. Mas estava lá, em 12/06/93, in loco e muito loco pra assistir ao vivo o primeiro de muitos títulos, aos 21 anos! Talvez por isso, pra esse geração X raiz, roqueiro e paulistano da gema, não é qualquer derrota que a bala a fé.