Por Catedral de Luz
16/02/2022

(Foto: Reprodução)

Essa caixa de surpresas a quem batizaram de futebol tem me deixado pensativo. Em conflitos comigo mesmo, até. Afinal, aquilo que penso a respeito de táticas, sejam quais forem, passa longe do que preconizam as sábias mentes da crônica esportiva.

Parece que tudo aquilo que sai da mente do “gajo” Abel Ferreira – bode expiatório para eles – não é bom e contradiz as normas de um espetáculo – porque teimam todos que o futebol em sua matriz é arte, embora eu não consiga enxergar um torcedor concorrente aplaudir um gol do meu time de coração –.

Quando tudo parecia aplacar a ira contra o técnico esmeraldino, a final do Mundial de Clubes veio para confundir e não explicar, como diria o “Velho Guerreiro”, animador de auditório.

Os elogios negativos – para ser simpático – foram aumentando, dia após dia. Ele foi a síntese do defensivismo, o ferrolho suíço renascido ou aquele que chegara aos Emirados Árabes Unidos para jogar por uma bola apenas.

A mentes brilhantes da imprensa ignoraram que, para cada adversário na Libertadores – Alô, amigos aromáticos! –, o moço de Penafiel montou uma estratégia no mínimo singular.

Admitir que o “lusitano” pudesse surpreender a cultura estabelecida, onde a escolha do que deve perdurar está sob a responsabilidade de tendenciosos, é, na pior das hipóteses, avessa ao bom senso.

Evoquemos a temperança, amigos cronistas. Penetremos nesse emaranhado de boas ideias que é o cérebro de Abel Ferreira e apresentemos ao espectador, sempre adepto dos valores fora da caixa, seu modus operandi em conquistar.

Seria absurdo querer que o técnico alviverde batesse de frente com o milionário Chelsea, apenas para cumprir protocolo e saciar a sede dos caprichos de determinados jornalistas. Business is business, hipócritas dos notebooks.

Mas como diria Raul Seixas, “estou aqui para negar tudo aquilo que lhe disse antes”. Obrigado à “Metamorfose Ambulante”.

Pensei que estivesse errado, conceitos equivocados, realidade aquém de um aprendizado consistente. Era hora de beber na fonte e assistir França X Espanha. PSG X Real. Minha culpa, minha máxima culpa.

Qual foi a surpresa quando prestei-me ao abuso cometido pelo italiano Carlo Ancelotti. O bilionário Real marcando de sua linha intermediária para trás – alguém lembrou da SEP e todos aqueles bufões da corte censurando? –.

Enfim, como diriam os não menos fabulosos Stones, à luz de sua insanidade criativa, “let It bleed (deixa sangrar)”.

O escritor e colunista Catedral de Luz nasceu na turbulenta década de 60 e adquiriu valores entre as décadas de 70 e 80 que muito marcaram sua personalidade, tais como Palmeiras, Beatles, Letras, Espiritismo e História… Amizades… Esposa e Filha.
Os anos 90 ensinaram-lhe os atalhos, restando ao novo século a retomada da lira poesia perdidas.