Por Catedral de Luz
27/12/2021

(Foto: Reprodução)

Infelizmente, para a concorrência, a caixa de surpresas estava aberta e dela saiu a nossa vitória, na final da Libertadores 2021.

Restou ao adversário reclamar dos fenômenos naturais ou das falhas individuais de seus atletas. Virtudes? Parece que nunca portamos tais instrumentos. Fomos fruto da casualidade.

Entretanto, por volta de 2041 lembraremos de Deyverson cutucar a bola a meia altura, oposta ao goleiro. Assim como vislumbraremos, ao visitarmos a sala de troféus, a taça reluzente, entre outras tantas conquistas. Aspecto característico dos campeões.

Contudo (e cabe aqui um singelo parêntese), a final de Montevidéu pertenceu ao espírito de grupo, à estratégia de um treinador minucioso e que não gosta da derrota – nem para as filhas.

Às vezes – e somente às vezes –, ao longo dos anos, o imponderável futebol clube entrou em campo e nos favoreceu por méritos – diga-se.

Giremos a roda do tempo e visitemos a temporada de 2000. Nossa patrocinadora e cogestora despedia-se do futebol alviverde. Estávamos à mercê do bom e barato proposto pelo Presidente Mustafá – ainda tem gente que reclama do Século XXI.

Partimos para o Nordeste (Paraíba e Alagoas) disputar uma vaga para a Libertadores (Copa dos Campeões do Brasil), com aquilo que nos legara a parceira e alguns “reforços” contratados ao sabor do miserável Sapo Boi – Você entende que hoje a fruta é escolhida de forma errada? Fique sabendo que à época saboreávamos a casca da banana.

Perspectivas zero? Infelizmente. Mas era nosso dever recomeçar.

Coube enfrentarmos o Cruzeiro, como ponto de partida. Embora distantes da “Academia” e jogando no erro adversário alcançamos a fase seguinte (3X1, 1X1).

Tudo indicava o final da linha. Afinal, o embate das semifinais colocava-nos frente ao Flamengo. Alias, “Flavorito – conforme a sempre bravata de seus aficionados”.

Um verdadeiro rolo compressor na primeira partida seria a síntese do que foi o nosso adversário – 2X1 ficou barato.

Deixaram o manto sagrado sobreviver ao massacre de Petkovic e assemelhados. Subestimaram que os “300 de Esparta” não fossem capazes de vencer o “Império Persa” e manter em pé o estreito das “Termópilas”.

Só a vitória interessava. Aos olhos humanos seria difícil imaginar o destino modificado. Porém, quem falou que o Palmeiras é um time explicado pelo homem?

Entre sangue, suor e algo mais de cada um, ao comando do simplório Rodrigo Taddei – aquela tarde o Quixote palestrino, a melhor partida de sua carreira – os flagelados foram flagelo aos cariocas (1X0, vitória nos pênaltis).

Certamente, após o Flamengo e da forma como construímos o feito, a final frente o Sport deixou de ser o momento máximo do campeonato.

Mesmo assim conquistamos a Copa dos Campeões do Brasil (2X1) e um elenco de desconhecidos escreveu mais algumas páginas de nossa história.

Quando você reclamar ao entender que o futuro é obscuro lembre que para a SEP nada é impossível

O escritor e colunista Catedral de Luz nasceu na turbulenta década de 60 e adquiriu valores entre as décadas de 70 e 80 que muito marcaram sua personalidade, tais como Palmeiras, Beatles, Letras, Espiritismo e História… Amizades… Esposa e Filha.
Os anos 90 ensinaram-lhe os atalhos, restando ao novo século a retomada da lira e poesia perdidas.