Por Roberto Galluzzi Jr.
04/07/2022

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Após a derrota em casa, em frente a quase 40.000 torcedores certos de que veriam uma bela cena que findaria com vitória, muitos abraços e sorrisos televisivos, repercutimos os comentários do colunista Danilo Lavieri no UOL de 03/07*, dizendo que além do cansaço físico há o mental: a exigência de vitórias constantes, sem um respiro fora dos 100%, esgota qualquer equipe.

Olha…. cansaço mental temos nós com os boletos que não param de chegar! Isso sim pira qualquer cabeção. Mas temos que admitir que há verdade na afirmação.

A mídia, além de um grande difusor, também é um imenso moedor de imagens: quanto mais você dá, mais ela exige. Fez 3 hoje, precisa de 4 amanhã. E essa fome pantagruélica pelo entretenimento, pela felicidade rápida e pungente vem direto do público, da audiência.

O problema da última derrota não foi a falta de “reservas” a altura, como alguns podem imaginar. Se o Palmeiras não tem um banco de reservas forte, tampouco os tem quaisquer outros times, pelo simples fato de que montar 11 bons já é difícil, quanto mais 15 ou 16.

O problema foi bem apontado: nós esperamos uma máquina que funcione 100%, de algo humano, que jamais funcionará 100%. E como diz Abel, perderíamos, uma hora ou outra. E ainda perderemos mais, pois isso é a condição absolutamente normal em alta performance.

Esperamos títulos ao final da temporada, sempre. Mas o que não pode acontecer é embarcarmos no oba-oba midiático que nos é vendido, pois ele vem carregado de açúcar e não raro nos causa diabete mental!

A pessoa vive sob expectativas intangíveis, se frustra profundamente após poucas derrotas e passa a caçar bruxas, sem entender que A VIDA é carregada de vitórias E derrotas que, se forem entendidas e bem assimiladas, alimentam próximas conquistas.

  • https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2022/07/03/lavieri-de-todos-os-cansacos-o-palmeiras-esta-sentindo-mais-o-mental.htm

Nascido nos 70 e forjado nos difíceis anos 80, o Galluzzi enfrentou a fila inteira de 16 anos. Mas estava lá, em 12/06/93, in loco e muito loco pra assistir ao vivo o primeiro de muitos títulos, aos 21 anos! Talvez por isso, pra esse geração X raiz, roqueiro e paulistano da gema, não é qualquer derrota que a bala a fé.